quinta-feira, 22 de abril de 2010

Em protesto, índios do Xingu vão parar serviço de balsa

21/04/10 – 9h40

Indignados com o leilão da usina de Belo Monte, lideranças indígenas do Xingu, em Mato Grosso, decidiram paralisar, a partir desta quinta-feira, a travessia da balsa no Rio Xingu, operada pelos índios. A travessia liga São José do Xingu a outros municípios de Mato Grosso e também do Pará. Por dia, cerca de 60 caminhões, 30 veículos de passeio e ônibus usam os serviços da embarcação
A ação é o primeiro de muitos protestos programados pelos povos do Xingu no Estado contra a construção do empreendimento. "Se quiser construir Belo Monte deve mandar matar todos os índios", disse o cacique kaiapó Megaron Txcurramãe.

Segundo o cacique, as lideranças reunidas na aldeia Piaraçu, na terra indígena Capoto-Jarina, discutem a questão da usina como "mais uma traição" do governo brasileiro (Lula) e do presidente da Fundação Nacional do índio (Funai), Marcio Meira, contra os povos indígenas. "Se não querem respeitar nós (sic), nós não vamos respeitar a eles", disse.

O cacique kaiapó disse que, além da "preocupação com os prejuízos que devem acontecer 'caso' a usina seja realmente construída", os índios também já estão receosos com a viabilização do projeto de construção do complexo de hidrelétricas previsto no Rio Xingu. "Se eles conseguiram passar Belo Monte, agora vai ser mais fácil implantar outros projetos no rio", disse. "Se o governo quer acabar com índios, então ele deve mandar o Exército matar os índios e tomar as terras, porque os índios vão resistir", afirmou Megaron.

Esta é a segunda vez que os kaiapós decidem parar os serviços de travessia da balsa no Rio Xingu em protesto contra a construção da usina de Belo Monte, em Altamira do Pará. A primeira aconteceu em 2009. A manifestação reuniu, durante seis dias, lideranças das 15 etnias que moram no Parque do Xingu, e cerca de 300 pessoas. O movimento foi liderado pelo cacique Raoni Metuktire que também estará presente na manifestação que começa nesta quinta-feira.

Fonte: Yahoo notícias - http://br.noticias.yahoo.com/s/21042010/25/economia-protesto-indios-xingu-vao-parar.html

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Nota do Movimento Xingu Vivo para Sempre acerca do leilão da UHE Belo Monte

No dia de hoje (20/04) foi realizado o leilão para a concessão do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, que o Governo Federal pretende instalar no rio Xingu, no Estado do Pará. Sob um forte aparato policial, os investidores tiveram de entrar por uma porta lateral da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, com medo dos manifestantes que estavam do lado de fora. Só que estes estavam proibidos pela Justiça de se manifestar: um interdito proibitório interposto pela ANEEL, e acatado pela Justiça (!), proibia qualquer manifestante de se aproximar a menos de 1 quilômetro do local do leilão!

Mais do que as empresas interessadas em arrematar a obra - e se beneficiar dos generosos subsídios públicos que serão destinados à sua construção – foi a Justiça o grande ator desse dia. Nas mãos do Presidente do Tribunal Regional Federal da 1a Região, Jirair Meguerian, repousava, desde a noite anterior, um recurso interposto pela ANEEL para sustar os efeitos da medida liminar que havia sido outorgada pelo Juiz Federal de Altamira, Antônio Carlos Campelo, e que suspendia a realização do leilão.

Mas não era qualquer liminar. Era uma decisão de mais de cinquenta páginas, amplamente fundamentada não só em fatos objetivos e inquestionáveis, como também na legislação brasileira. Identificava diversas irregularidades no processo de licenciamento ambiental da usina, que iam desde a desconsideração de pareceres técnicos do Ibama até a postergação de estudos que deveriam ser necessariamente realizados antes de se tomar a decisão de construir ou não a obra. Reconhecia a interferência indevida de instâncias políticas superiores na decisão técnica do Ibama, o que levou a uma decisão apressada e insegura. Apontava para o desrespeito, pelo próprio governo, das regras estabelecidas.

O Desembargador Jirair Meguerian, no entanto, provavelmente não leu a decisão que ele derrubou. Não contra-argumentou nenhum dos pontos da decisão de Campelo. Pior. Afirmou que a decisão havia sido baseada em “conjecturas” e que o Ibama, sendo um órgão “responsável”, não poderia ter cometido irregularidades. Baseado em dois artigos de jornal, sentencia que a obra não trará problemas ambientais, ignorando os muitos alertas feitos por pesquisadores independentes e do próprio Ibama.

Estamos indignados e estarrecidos com a decisão do TRF 1a Região, mais do que com o resultado do leilão. Um país no qual o Judiciário se furta de controlar os desvios cometidos pelo Poder Executivo está a meio caminho de um regime autoritário. Um país no qual um de seus principais tribunais fecha os olhos para as muitas irregularidades de um processo sob o pretexto de que isso é necessário para o “desenvolvimento”, tem um futuro sombrio. Como pode haver desenvolvimento sem respeitar as regras mínimas estabelecidas? Que regime democrático é esse que proíbe as pessoas de se manifestarem e põe os interesses econômicos por cima da lei? Esse é um dia triste para o país.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Guerra judicial e guerrilha nas ruas do país continuam contra Belo Monte

Embora o governo tenha derrubado hoje a liminar da Justiça e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizado, às pressas, o leilão (que cheira mal desde o início de elaboração do projeto) para a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, no rio Xingu, Oeste do Pará, a guerra judicial e a guerrilha nas ruas do país ainda não terminaram.

Diante disso, ativistas sociais e ambientas, agricultores e tribos indígenas realizaram nesta terça (20) e nos próximos dias uma série de manifestações pelo Brasil contra Belo Monte, a devastação da Amazônia e a política energética do governo Lula.

Cerca de 500 manifestantes de organizações de vários movimentos sociais protestam em frente ao prédio da Aneel contra o leilão da Usina. A pista que dá acesso à Universidade de Brasília esteve interditada desde as 5h da manhã. Manifestantes do Greenpeace também protestam acorrentados à grade em frente ao prédio da Aneel.

Em Belém, pela manhã, mais de 600 pessoas representando entidades e movimentos sociais do Pará saíram às ruas da cidade para protestar contra a construção de Belo Monte, considerada por especialistas como o maior crime socioambiental da história do país e que trará conseqüências irreparáveis à população da Amazônia, em especial aos indígenas e ribeirinhos da região.

Durante o ato na capital paraense, os manifestantes reivindicavam democracia e pediam ao presidente Lula que atendesse a decisão do juiz federal Antônio Carlos Almeida Campelo, da subseção de Altamira (PA), que suspendeu o leilão e cassou a licença prévia da obra.

A concentração do ato aconteceu no terminal rodoviário da Universidade Federal do Pará (UFPA) e seguiu até a sede da Eletronorte, chamada pelos manifestantes de “Eletromorte”, onde foi feita a ocupação da área. Um grupo de manifestantes também conseguiu entrar na sala de reunião da diretoria da instituição e exigiu a presença de representantes da direção da “Eletromorte”.

Após a chegada dos representantes na sala, tomada por ativistas, foi feita a entrega do ”Manifesto das Organizações Contra Belo Monte e o Atual Modelo Energético”, assinado por mais de 50 instituições socioambientais e movimentos sociais nacionais e internacionais. No documento ficaram claras as preocupações da sociedade em relação aos graves e irreparáveis impactos que acontecerão na região, caso a obra seja executada.

Na saída da “Eletromorte” os manifestantes realizaram a parte final do ato. Todos os discursos feitos pelo movimento social apontavam para uma maior resistência, caso o governo federal insista na construção da Usina.

Outro sentimento forte e comum entre os manifestantes de todo o país é que independente do leilão ter acontecido, entre o leilão e o possível início das obras muitas águas passarão pelo Xingu e a luta pela vida e contra o UHE Belo Monte continua.

Texto: Cleide Magalhães, jornalista e membro da Ascom do Comitê Xingu Vivo para Sempre, com colaboração de Marquinho Mota, assessor de comunicação do FAOR.

Fotos: Maurício Matos, membro da Ascom do Comitê Xingu Vivo para Sempre.


Mais uma liminar – a terceira – barra o leilão de Belo Monte


20/04/10 14:02

http://www.pa.trf1.gov.br/noticias/ver.php?id=857

A Justiça Federal no Pará concedeu há pouco (leia aqui a íntegra da decisão) mais uma liminar que barra o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, sudoeste do Pará. A decisão é do juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, da Subseção de Altamira, o mesmo que já determinou por duas vezes (leia aqui e aqui), a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a suspensão do processo licitatório, previsto para ocorrer nesta terça-feira. Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.

Desta vez, o magistrado acolheu pedido formulado em ação civil pública ajuizada pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e pela Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. O juiz ressalta que o art. 225 da Constituição Federal exige estudo prévio de impacto ambiental (EIA) para instalação de obra potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, como é o caso de Belo Monte.

O estudo de impacto ambiental, ressalta o magistrado, deve levar em consideração a situação real do empreendimento e precisa até mesmo ser refeito, caso sejam alteradas as suas condições, sob pena de contrariar a Constituição Federal. No caso de Belo Monte, acrescenta a decisão, há grande diferença entre a área dos reservatórios, mostrada pela imagem de satélite (668,10km2) e a área levada em conta no EIA (516km2). O resultado é uma diferença a maior de aproximadamente 29,4%, quase um terço do anterior.

“As ações humanas atuais ser pautadas por uma consciência ambiental ética sempre comprometida com a geração futura, que merece receber um meio ambiente ecologicamente estável. Deste modo, vislumbro que o Estudo de Impacto Ambiental pode ser declarado nulo, posto que deixou de analisar o reservatório total que foi descrito por imagem de satélite no edital do leilão programado”, conclui o juiz.

Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará
Seção de Comunicação Social

Protestos se espalham por oito cidades

Índios e ONGs preparam manifestações por todo o País; também anunciam bloqueio da Transamazônica e paralisação de balsa no Rio Xingu

20 de abril de 2010 | 0h 00

Renée Pereira - O Estado de S.Paulo

Entidades sociais e de meio ambiente, agricultores e tribos indígenas realizam hoje e nos próximos dias uma série de manifestações pelo Brasil contra a Hidrelétrica de Belo Monte (PA), a devastação da Amazônia e a política energética do governo Lula.

Mesmo que o leilão da usina, marcado para hoje, às 12 horas, não ocorra por causa da liminar concedida ontem pela Justiça Federal do Pará, os movimentos prometem reunir centenas de pessoas em várias localidades, paralisar estradas e balsas.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)e o Movimento dos Sem Terra (MST) vão se reunião em frente a órgãos estatais de oito cidades brasileiras: Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Belém e Altamira (PA).

"A partir das oito horas vamos sair em passeata para dialogar com a sociedade", destacou o representante do MAB, Iuri Charles Paulino, garantindo que será uma manifestação pacífica.

Na avaliação dele, o problema de Belo Monte, prevista para ser construída no Rio Xingu, no Pará, é um problema nacional e internacional, fere o direito à soberania dos povos, a dignidade dos indígenas, ribeirinhos e a todos os brasileiros que pagarão a conta dessa obra. "Se esse leilão ocorrer, será um crime de lesa-pátria."

As manifestações contra a hidrelétrica começaram ontem em Altamira, numa vigília em frente das instalações da Eletronorte, que incluiu rezas, carros de som e discussões sobre o empreendimento. Além de moradores da cidade, índios também participaram. Para hoje, agricultores prometem bloquear a Rodovia Transamazônica, no trecho entre Altamira e Vitória do Xingu. Essa é a única ligação terrestre que os moradores da cidade têm para Belém e Santarém.

Também há previsão de protestos em Cuiabá (MT). "Se Belo Monte vai trazer prejuízos pro Povo do Xingu, índio vai provocar prejuízo para muita gente e empresas (sic)", alerta o cacique kaiapó Megaron Txcurramãe.

Ele e mais 30 lideranças, reunidas na aldeia Piaraçu, na terra indígena Capoto-Jarina, devem fazer a segunda manifestação contra Belo Monte. O cacique afirma que, se a usina vai prejudicar o povo indígena, então eles também vão prejudicar o governo e o projeto.

A primeira manifestação ocorreu em novembro de 2009 e reuniu, durante seis dias, lideranças das 15 etnias que moram no Parque do Xingu, cerca de 300 pessoas. O movimento foi liderado pelo cacique Raoni Metuktire. Apesar de definida as estratégias, os líderes não quiseram antecipar a data, mas garantiram que ocorrerá antes do "fim do mês".

A estratégia desta segunda manifestação será a mesma usada em 2009: a paralisação da travessia da balsa no Rio Xingu, operada pelos índios. A travessia liga São José do Xingu a outros municípios de Mato Grosso e também do Pará. Por dia, cerca de 60 caminhões, 30 veículos de passeio e ônibus passam pelo local. No dia 15 de maio, os povos indígenas prometem outra manifestação.

Invasão. No Pará, onde será construída a hidrelétrica, os índios também planejam manifestações para os próximos dias. Segundo o índio Luiz Xipaia, nos próximos dias representantes de várias aldeias espalhadas pelo Rio Xingu e afluentes planejam formar uma tribo multiétnica no sítio Pimentel, onde será construída a barragem de Belo Monte, conforme o Estado antecipou na edição de domingo.

Luiz diz que ainda não sabe quando será a invasão, já que a locomoção dos índios leva tempo e só é feita pelo rio. Em alguns casos, a viagem dura cerca de quatro dias. "Para terça-feira (hoje) não será possível porque os índios ainda estarão em viagem. Mas pode ocorrer entre quarta e quinta-feira."

Segundo ambientalistas, os índios que moram à beira do Rio Xingu e do Rio Bacajá serão afetados pela construção de Belo Monte. Para alimentar a barragem da usina, a água do rio será reduzida na chamada Volta Grande do Xingu, onde ficam as aldeias Terra Wanga (dos Arara) e Paquiçamba (dos Juruna). Para o cacique José Carlos Arara, a construção de Belo Monte vai ilhar sua comunidade, que ficará sem acesso à cidade de Altamira, no Oeste do Pará.

"Isso sem contar que o nosso ganha pão está em risco. Vivemos especialmente da pesca. Mas, com o nível mais baixo do rio, os peixes vão desaparecer", teme o líder dos Arara. A informação é corroborada pela professora da Universidade Federal do Pará, em Altamira, Janice Muriel. "A redução da água no Xingu vai prejudicar a reprodução dos peixes e colocar em extinção algumas espécies." / Colaborou Fátima Lessa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Protesto contra leilão de Belo Monte acontece em Belém nesta terça (20)


Entidades que compõem o Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre organizam nova manifestação de rua em Belém contra a construção e o leilão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. A concentração será nesta terça-feira (20), no terminal rodoviário da Universidade Federal do Pará (UFPA), que fica no terceiro portão da instituição, às 9h.

Além dos membros das entidades que formam o Comitê, o ato contará com reforços importantes: estudantes da UFPA que abrem o V Congresso Estadual, componentes de MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e indígenas.

Os organizadores esperam reunir cerca de mil pessoas no ato e avisam: independente do resultado do leilão, a luta contra o UHE Belo Monte continua no Brasil e em outros países.

Liminar suspende o leilão de Belo Monte

http://www.pa.trf1.gov.br/noticias/ver.php?id=853

Mais uma liminar suspende o leilão de Belo Monte
19/04/10 16:34


O juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, da Subseção de Altamira, concedeu há pouco a segunda liminar (leia aqui a íntegra da decisão) que manda suspender o leilão que selecionará as empresas que vão construir a Hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, sudoeste do Pará. O certame está marcado para esta terça-feira (20). Se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não suspender os efeitos do edital que autoriza o leilão, ficará sujeita à multa de R$ 1 milhão.

Além de suspender o leilão, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) terá que anular a licença prévia que expediu e não poderá emitir uma nova, até que a ação seja apreciada no mérito. Ainda cabe recurso da decisão ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF).

Na semana passada, o mesmo magistrado, ao apreciar outra ação civil pública também ajuizada pelo MPF, mandou suspender o leilão marcado para amanhã, sob o argumento de que ainda não foi regulamentado o artigo 176 da Constituição Federal. O dispositivo dispõe, no seu parágrafo 1º, sobre a pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais (inclusive os hidráulicos) em todo o País.

Na primeira ação, o MPF levantou questões de direito para mostrar que a construção da usina feria dispositivos da Constituição Federal. Na outra ação, com liminar concedida nesta segunda-feira, Campelo concordou com as alegações do Ministério Público de que houve infrações à legislação ambiental, inclusive a não consideração das contribuições colhidas nas audiências públicas durante a fase em que os estudos de impacto ambiental decorrentes da construção da hidrelétrica estavam sendo analisados.

“As audiências públicas servem para dar publicidade do teor do empreendimento e também, senão principalmente, tem a finalidade de colher críticas e sugestões das pessoas presentes interessadas. Por critério lógico, essas críticas e sugestões não podem ser desprezadas, porquanto se assim fosse não estabeleceria o normativo a expressa necessidade de oitiva dos interessados”, diz Campelo num trecho da decisão, que tem 50 laudas.

“Meras encenações” -O magistrado afirma ter ficado evidenciado, nos autos do processo, que as audiências públicas “se transformaram em meras encenações para cumprimento dos normativos legais, e, ainda pior, a equipe de analistas ambientais reconhece a exiguidade do tempo para examinar as sérias implicações que podem redundar em prejuízos irrecuperáveis de degradação do meio ambiente.”

A decisão ressalta ainda que pareceres revelam a “falta de comprometimento dos peritos” em se manifestar forma conclusiva sobre os impactos ambientais resultantes da construção da hidrelétrica. O estudo de impacto ambiental, segundo Campelo, não comporta a alegação de impossibilidade de análise por falta de elementos técnicos e legais. “Se os peritos indicados eximiram-se de pronunciamento acerca de itens importantes, é como se estudo não houvesse. A análise deve ser clara e objetiva: ou há risco de dano ambiental, importando assim em medidas mitigadoras e/ou compensadoras, ou não há qualquer possibilidade de risco em face de alguns fatores demonstrados”, acrescenta o magistrado.

Campelo considerou “sobremaneira importante” a preocupação do MPF de que será reduzida a vazão d’água num trecho de aproximadamente 100 km de extensão do rio Xingu, alcançando terras indígenas, populações ribeirinhas e grande extensão da floresta. A vazão reduzida da água no leito principal do rio ocorrerá, segundo demonstra o MPF, em virtude do desvio decorrente dos canais para a formação do reservatório da hidrelétrica, , o que poderá ocasionar inclusive o desaparecimento de espécies de peixes, ainda não devidamente catalogadas.

“Além dos moradores urbanos, há os ribeirinhos, que vivem de pesca artesanal, e os indígenas, que também buscam no rio a sua principal fonte de proteínas para alimentação. Deve ser ainda frisado que o rio Xingu é altamente piscoso e há várias empresas em Altamira que exportam peixes ornamentais, devidamente autorizados pela entidade ambiental, para vários países do mundo em face de serem exóticos e de rara beleza”, diz o magistrado.

Campelo acrescenta que uma investigação da Polícia Federal, autorizada por ele mesmo na Vara Única da Subseção de Altamira, desbaratou quadrilha de pessoas que traficavam peixes ornamentais para o exterior. A PF constatou que um espécime de acari-zebra (Hypancitrus zebra) chega a custar, no Japão, cerca de R$ 2.500,00. “Resulta evidente que há risco de sério dano ambiental para a ictiofauna do rio Xingu, inclusive não podendo ser descartado o desaparecimento de espécimes em face de mudanças na disponibilidade espacial e temporal de áreas de desova e recrutamento, posto que remanescem dúvidas acerca do hidrograma ideal”, reforça o juiz federal.

Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará
Seção de Comunicação Social.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Belo Monte é tratada em coletiva com bispos no Vaticano

Mirticeli Medeiros
Canção Nova Notícias, Roma

Os bispos do Regional Norte 2, que realizam a visita Ad Limina, participaram de uma coletiva inédita no Vaticano, nesta quinta-feira, 15. Desde que a Ad Limina dos bispos do Brasil começou, em setembro do ano passado, é a primeira vez que bispos de um regional participam de um evento como este. O assunto tratado foi a Amazônia, entre os principais problemas da região Belo Monte teve destaque, por meio do depoimento de D. Erwin Kraütler, bispo da Prelazia do Xingu.

Assista a reportagem:

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=276121

Considerações e vídeos de debates sobre Belo Monte


Estamos em um período extremamente importante para a definição do futuro de, no mínimo, um dos maiores e mais importantes rios da Bacia Amazônica e de toda sua sociobiodiversidade. Solicitamos o apoio de todos na divulgação das verdadeiras informações que somente agora estão chegando à população brasileira, já que, até então, a discussão dos problemas relacionados ao Aproveitamento Hidroelétrico de Belo Monte praticamente se restringiam ao setor acadêmico, a algumas organizações não governamentais e aos indígenas e ribeirinhos que seriam diretamente afetados por este megaprojeto.


Nesta última quarta feira (14) o juiz federal de Altamira (PA), Antonio Carlos Almeida Campelo, acatou uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, através de uma medida liminar, suspendendo a licença prévia de Belo Monte e cancelando o leilão, marcado para a próxima terça feira (20/04). Porém, nesta sexta (16) o TRF suspendeu essa liminar e a Agência Nacional de Energia Elétrica manteve a data do leilão para o dia 20/04.

Frente a isso, para os que não estão acompanhando os vais e vens deste velho projeto, sugiro que assistam nos links abaixo aos dois debates recentes sobre essa hidroelétrica e sobre a questão energética no Brasil:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1248552-7823-LICITACAO+DA+HIDRELETRICA+DE+BELO+MONTE+GERA+POLEMICA,00.html

Esse link é do programa Espaço Aberto, com a participação de Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética e Carlos Vainer, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1248127-7823-ASSUNTO+EM+DEBATE+LEILAO+PARA+CONSTRUCAO+DE+USINA+NO+PARA+E+SUSPENSO,00.html

Já o link acima é do Globo News, com a participação de Pedro Bignelli, Diretor de Licenciamento do IBAMA, Ubiratan Cazetta, procurador do Ministério Público Federal – PA, Raul Silva Telles do Valle, advogado do Instituto Socioambiental, Carlos Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e Marquinhos Mota, representante do Movimento Xingu Vivo para Sempre e da Rede FAOR

Lembrem-se, ainda, do parecer da equipe técnica do IBAMA de 26/01 (ou seja, das vésperas da concessão da LP e que já foi publicado neste blog: http://xingu-vivo.blogspot.com/2010/02/conheca-parecer-de-tecnicos-do-ibama.html) que reafirma a posição de que não havia condições de atestar a viabilidade ambiental do empreendimento. Tal parecer é o que Pedro Bignelli afirma não existir durante a entrevista no Globo News. Aliás, esse é um dos documentos que o IBAMA só colocou em seu site no final de fevereiro, muito tempo depois de concedida a licença prévia e apenas por ter sido intimado pelo Ministério Público a fornecer tal documentação.

Precisamos mobilizar a população brasileira para que não nos deixemos enganar novamente pelo governo e pelas empresas interessadas neste mega-projeto com argumentos baratos como o de que de precisamos de Belo Monte para não termos novamente um apagão.

Contamos com a ajuda de todos vocês para divulgar essa luta para o maior número de pessoas possível.

Abraços,

Adriano Jerozolimski (Pingo)

Associação Floresta Protegida – Mebengokré/Kayapó.

Colaboração e edição: Assessoria de Comunicação do Movimento Xingu Vivo para Sempre.